Blog da Liberdade
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Jul
01

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Jun
17

Da SECOM/UnB:

A greve dos servidores da Universidade de Brasília foi considerada legal pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O juiz Reginaldo Pereira determinou, no entanto, o retorno imediato de todos os funcionários do Hospital Universitário e de 80% do quadro do Bandejão ao trabalho. A Procuradoria Jurídica da universidade fiscalizará o cumprimento da decisão judicial e verificará, diariamente, a folha de ponto do HuB.

O pedido de ilegalidade da greve foi feito pela Advocacia-Geral da União em 25 de maio. Os servidores da universidade temiam que a Justiça concordasse integralmente com a AGU. Não foi o que ocorreu. “Não me parece que haja um clima de afronta ao Judiciário, mas sim a agonia e perplexidade diante do quadro e arestas que ainda não chegaram ao fim”, declarou o juiz , no documento.

Autor da decisão, o juiz federal Reginaldo Márcio Pereira, determinou multa de R$ 50 mil por dia ao sindicato, caso os funcionários não retornem ao serviço no HUB e no restaurante.

A decisão foi bem recebida pela categoria. Cosmo Balbino, coordenador-geral do Sintfub, garante que o pedido do TRF será atendido. “Vamos cumprir o que a justiça está determinando”, assegurou.

Confira aqui a íntegra da decisão.

Uma assembleia será realizada nessa quinta-feira, 17 de junho, para que as determinações sejam discutidas. “Esse é um novo capítulo da greve. Agora que o movimento não foi considerado ilegal, iremos decidir os rumos da paralisação”, disse Cosmo. O encontro será na Praça Chico Mendes, às 9h30. A notícia foi espalhada pelo campus Darcy Ribeiro com um carro de som.

HUB – A ausência de funcionários no HUB tem atrapalhado setores cruciais, como o ambulatório, a hemodiálise, a quimioterapia e a sala de vacinação. “No contexto que temos, uma pessoa que falta gera problemas”, afirmou Elza Noronha, vice-diretora do hospital. Atualmente, 24 funcionários estão sem trabalhar.

No Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), não havia fila de espera antes da greve. Agora, 57 pessoas aguardam o início do tratamento. “Fazíamos 30 quimioterapias por dia. Estamos fazendo 20”, explica a vice-diretora. No setor, quatro pessoas estão paradas.

Os laboratórios do hospital estão funcionando apenas no período da manhã. A solução tem sido priorizar exames dos pacientes internados. Pessoas com consulta marcada acabam prejudicadas. “Marquei desde fevereiro, mas não consegui fazer os exames. Agora, estou com medo de perder a vaga”, desabafou Maria Dirce Lourenço, que aguardava no último dia 9 para consultar o filho João Pedro, de 6 anos.

Sônia Maria da Silva, 45 anos, optou por pagar R$ 300 por exames em laboratórios particulares para não perder a consulta da filha. “Pesa no meu orçamento, mas não teve outro jeito”, conta ela, que esperava para consultar Fabiana, de 12 anos.

O impasse sobre o funcionamento integral do hospital começou em reunião na última terça-feira, quando a direção do HUB ressaltou a necessidade de retomar 100% das atividades. O Comando de Greve, então, pediu uma lista com a quantidade de servidores necessários para não prejudicar serviços essenciais. O documento entregue ao Sintfub apresenta o nome de 24 servidores: 12 do Centro Cirúrgico Central, 8 da Cirurgia Ambulatorial e 4 do Cacon.

STF

A ministra Carmem Lúcia vai receber advogados e dois representantes do Sintfub na próxima quinta-feira, 17 de junho. A audiência, pedida pelos advogados do sindicato há duas semanas, foi confirmada pelos assessores da ministra na última segunda-feira. “Vamos solicitar agilidade na análise da liminar que garante o pagamento da URP até o julgamento do mérito”, adiantou o advogado Valmir Floriano. O sindicato ainda não decidiu quem serão seus representantes.

Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada.

COMENTO: Creio muito positiva e correta a decisão do juiz. Se fosse ilegal fazer greve contra corte salarial, por qual motivo tal direito existiria? Acho que o juiz corrigiu bem os abusos: HUB voltando e RU também. Porém, faltou colocar a BCE pra funcionar, nem que fosse em meio turno. Se uma biblioteca não é serviço essencial numa Universidade, o que pode vir a ser?

Jun
15
Retirado do Correio Braziliense:
Professores reclamam de excessos cometidos pelos alunos, como som alto, festas em horários de aulas e consumo de álcool e drogas no câmpus Darcy Ribeiro. Reitoria deve estabelecer novas regras


Mariana Moreira

Publicação: 12/06/2010 07:56 Atualização: 12/06/2010 08:11

As aulas da Universidade de Brasília (UnB) foram retomadas há cerca de um mês, após um longo período de greve, e a instituição começa a discutir novas regras de convivência no ambiente acadêmico. O reitor José Geraldo de Sousa Júnior convocou diretores de institutos e faculdades para debater as queixas dos professores sobre excessos que estariam sendo cometidos pelos alunos. Os docentes reclamam principalmente do alto volume empregado em equipamentos de som nos centros acadêmicos (CAs) e do consumo de álcool e drogas durante as festas informais dos estudantes dentro do câmpus do Plano Piloto.

Diante dos protestos dos professores, o reitor admite mudanças, embora defenda que as festas devem fazer parte da vida universitária. “As festas e o lazer devem existir, mas devem se compatibilizar com o resguardo e o silêncio. O território está mal distribuído e falta espaço para a celebração, mas precisamos definir quais são eles e, se preciso, criar mais alguns”, sinaliza José Geraldo.

A solução será bem-vinda entre os professores. De acordo com o vice-presidente da Associação de Docentes da Universidade de Brasília (AdUnB), Ebnezer Nogueira, dar aulas na instituição está virando uma missão complicada. Além do barulho, não há espaço para tantas turmas. Ele explica que salas de aula localizadas no subsolo do Instituto Central de Ciências, conhecido como Minhocão, foram tomadas por alunos, com o intuito de alojar centros acadêmicos de novos cursos. O espaço, conhecido como “Corredor da Morte”, é dividido entre estudantes concentrados em seus conteúdos, música alta e até uma “carta de vinhos” afixada em uma das paredes.

“Daqui a pouco, daremos aula debaixo das árvores. Já recebi o pedido de um professor que queria usar o espaço físico do sindicato para lecionar, porque falta espaço no prédio”, protesta Nogueira. “Na quinta-feira à tarde, é impossível dar aula, as festas estão com som altíssimo. Tem gente bêbada andando pelo câmpus. E quem paga por isso é você”, reforça o professor de bioquímica clínica da UnB Marcelo Hermes Lima. Ele relata que é comum professores desistirem de dar aulas por não conseguirem competir com o barulho do lado de fora da sala.

Alunos divididos
Entre os alunos, a questão divide opiniões. O estudante de física Juarez Mesquita, 19 anos, defende que centros acadêmicos são feitos para promover festas. “Mas, para que não sejam irregulares, a universidade poderia criar espaços próprios para isso”, defende. Em relação às festas, a presidente do Centro Acadêmico de Agronomia, Emanuele Cardoso, 20 anos, afirma já ter recebido várias reclamações. “Tem que haver regras. Drogas ilícitas, por exemplo, não deveriam ser permitidas. Mas as lícitas, sim”, afirma. Para a aluna do curso de ciências contábeis Dayane Freitas, 18 anos, há questões mais importantes para a instituição. “Com a greve dos funcionários, ninguém consegue o carimbo para recarregar o passe livre, por exemplo”, cita.

“Estudante é jovem e, na Copa, vai comemorar ainda mais. Não podemos deixar que isso interfira no trabalho acadêmico”, ressalta o coordenador de Comunicação Institucional da UnB, Isaac Roitman. Para evitar ainda mais barulho e confusão, a Secretaria de Comunicação da instituição começou a planejar uma campanha para reforçar nos alunos a conduta ideal em um ambiente de ensino. “É preciso achar o caminho correto entre a alegria da juventude e a seriedade da academia”, reforça Roitman.

De acordo com o reitor da UnB, a área do Minhocão onde foi criado o “Corredor da Morte” será reformada, pois não é adequada para salas de aulas ou mesmo para centros acadêmicos. As turmas que frequentavam aulas no local foram remanejadas para outros prédios e, assim que as novas edificações da UnB forem entregues, os CAs também serão.

As regras que definem como devem ser realizadas as festas dentro da universidade foram criadas em 2003, mas devem ser alteradas em breve. “Há uma minuta para substituir este texto que será debatida dentro da UnB”, explica José Geraldo. Os próximos encontros ainda serão agendados.

Jun
10

Vídeo produzido pelos colegas, amigos e aliados do movimento Liberdade USP:

Jun
07

Texto de autoria de Henrique Fialho Barbosa.

No dia 27 de maio de 2010 houve, na UnB, uma marcha e um beijaço em favor de uma universidade sem homofobia. Esse acontecimento foi disparado como uma resposta aos trotes homofóbicos que são ubíquos na nossa universidade, principalmente nos cursos de engenharias.

O protesto veio em boa hora e foi muito bom para lembrar a todos como a questão da homofobia é séria na nossa sociedade – enquanto estávamos marchando, uma das participantes recebeu uma ligação anônima com uma ameaça de morte. Então isso quer dizer que nada daquilo ali era inventado ou sequer aumentado, mas sim uma realidade diuturna de medo e violência para os homossexuais.

A ideia do beijaço é boa e serve para combater aqueles que ainda acham que a homossexualidade deve ser combatida e, principalmente, para aqueles que acham que “tudo bem ser gay, o problema é mostrar isso, porque ofende quem tá vendo”. O beijaço tem no fundo uma consciência de que não é nem um pouco ofensivo demonstrar amor por quem se gosta, e que essa condição surgiu de processos sociais opressivos que marginalizavam a homossexualidade. Ora, está na hora de trazer à luz esses processos sociais e desconstruí-los de seu caráter de opressão. Somente demonstrando que os gays existem e que não querem nem vão se esconder por muito mais tempo é que se começa a mudar essa mentalidade.

Porém aconteceram algumas coisas durante essa marcha que me preocuparam profundamente. A maioria dessas coisas pode ser ilustrada com o episódio do CA de agronomia. Quando paramos a marcha na frente do CA de agronomia houve um novo beijaço e o protesto continuou. Porém algumas pessoas começaram a colar adesivos da campanha na placa do CA e começaram a querer colar uma bandeira do movimento homossexual na placa desse mesmo CA. As pessoas do curso não foram agressivas em relação à marcha nem relação ao beijaço, mas se opuseram fortemente à “desfiguração” de sua placa, e eu acho que acertadamente.

Porque que esse episódio demonstra um erro profundo na concepção de algumas pessoas em relação à luta contra a homofobia? Porque ele mostra que às vezes alguns estão dispostos a cruzar a linha do desrespeito em relação ao próximo. O CA de agronomia tinha todo o direito de manter a sua placa limpa – nenhuma das pessoas presentes na marcha tinha o direito de impor que outras pessoas lutassem, mesmo que passivamente, pelas suas próprias ideias. É errado ser homofóbico, mas não é errado não falar nada. É um direito. E, mesmo depois de protestos das pessoas de agronomia, os presentes na marcha continuaram colando adesivos e tentando colocar a bandeira, até que dois representantes do CA retiraram a placa de onde ela estava, e foram vaiados. Foram vaiados por que? Por quererem defender o seu direito? Uma moça de agronomia tentou falar o que achava no megafone e foi interrompida e ignorada.

Então quando interpelados sobre essa falta de respeito à liberdade do outro, muitos respondiam dizendo que “eles nos desrespeitam também”. Ora, a marcha contra a homofobia era uma marcha a favor da tolerância, do respeito e da liberdade ou era uma marcha a favor da vingança? Já que eles nos desrespeitam, temos o direito de fazer o mesmo? Obviamente a resposta é não. E é um não veemente – esse tipo de ação chega mesmo a produzir efeitos contrários naqueles que se sentem desrespeitados: raiva e ódio contra o movimento dos homossexuais. E é essa raiva e esse ódio que essas pessoas vão transmitir pra seus parentes e amigos, colocando assim mais combustível no ciclo de desrespeito e de intolerância da homofobia.

Outra questão importante pode ser ilustrada com outra história: havia uma moça pichando nas paredes e no chão casais homossexuais. A validade da pichação eu não quero discutir aqui, mas eu perguntei a ela: porque não pichar um casal heterossexual, depois de tantos homossexuais já pintados? Ela me respondeu dizendo que isso não era importante, porque os heterossexuais já tem respeito. Isso me causou angústia, porque na minha concepção aquela marcha era uma marcha a favor da liberdade sexual: Homo, bi ou hétero. E eu acho importante reiterar isso – que a marcha é a favor de TODAS as identidades sexuais, inclusive a heterossexual. Porque é isso que define, pelo menos para mim, o movimento da liberdade de expressão sexual. Sem isso as pessoas heterossexuais podem encarar o movimento como uma “ameaça”, e esse sentimento de ameaça, mais uma vez, coloca fogo na roda da intolerância. Justamente por estarmos requerendo direitos é que precisamos ser muito cuidadosos com o direito do próximo.

A conclusão a que quero chegar com esse longuíssimo texto, se alguém o leu inteiro, é a de que o revanchismo só pode levar a uma divisão ainda maior da sociedade entre grupos antagônicos. Se houve opressão no passado, e se há – com certeza há, e forte – não é oprimindo os outros que remediaremos isso. O único meio seguro e justo de apagar esse passado é construindo uma ponte ao “outro lado”, para que sejamos todos do mesmo lado. E não um muro.

*As ideias presentes no texto são de responsabilidade de seu autor.

Jun
07


Notícia retirada do Portal da UnB:

Bandeiras coloridas, faixas de protesto e beijos. Muitos beijos. Eles com eles e elas com elas. Cerca de 300 pessoas participaram do ato contra a homofobia na UnB, nesta quinta-feira, 27 de maio. O “beijaço”, que tem o objetivo de acabar com o preconceito não só na universidade, mas em toda sociedade, acabou marcado pelo bate boca com um grupo favorável ao “orgulho hetero”. Uma jovem afirmou que foi ameaçada de espancamento. Manifestantes procuraram a 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) para registrar queixa, mas não conseguiram por causa de greve dos policiais civis.

O protesto começou por volta do meio dia, quando a multidão se concentrou no Ceubinho. Ali mesmo, enquanto produziam faixas e improvisavam instrumentos musicais, casais homossexuais usaram o beijo não só como uma forma de afeto, mas como um ato político. “Queremos o direito de nos beijar em qualquer dia e lugar. Com amor, sem amor, com tesão ou sem tesão. Existem outras formas de amor”, disse, Guaia Martino, estudante de Serviço Social.

O clima de festa foi quebrado quando um grupo com cerca de cinco pessoas chegou com um cartaz escrito “Orgulho Hetero”. Dois deles tinham a cabeça raspada, a pele branca, vestiam coturnos e tinham tatuagens no braço, visual típico dos skinheads – grupo que tem, em uma de suas subdivisões, o preconceito contra homossexuais e negros, geralmente inspirado em ideologias como o nazismo alemão. Houve bate boca entre os manifestantes. “Não sou contra os homossexuais, sou a favor dos heterossexuais”, disse o estudante de Estatística Rafael L..

Do Ceubinho, os manifestantes subiram para a Faculdade de Tecnologia. “Os cursos que usam o trote para fazer apologia ao machismo e o preconceito se concentram aqui. A universidade não aceita a homofobia”, afirmou Luiza Oliveira, estudante de Ciências Sociais. No lugar o grupo pregou adesivos coloridos na porta dos centros acadêmicos. “É errado generalizar que todos aqui são preconceituosos. O trote é uma brincadeira”, argumentou o aluno Lohan Arrais, da Engenharia de Redes.

AMEAÇA – Antes de descer para a Reitoria uma ligação recebida por uma jovem – que preferiu não se identificar – indignou os manifestantes. Era um número desconhecido. “Era voz de um homem, que me chamou de lésbica, disse que sabe meu nome e que vai me espancar para eu aprender”, disse a jovem, aos prantos. A garota estava entre as pessoas que discutiram com o grupo que foi ao “beijaço” defender o orgulho hetero.

Segundo informações da 2ª DP – que está de portas fechadas para atendimento ao público – ocorrências só poderão ser registradas na unidade a partir de sábado. “Não vou deixar de tomar as devidas providências”, garantiu a vítima.

De lá os manifestantes seguiram para a Reitoria, onde se reuniram com o chefe de gabinete, professor Wellington de Almeida, a Decana de Assuntos Comunitários, professora Rachel Mendes e o assessor da Juventude, Rafael Barbosa. “Queremos uma posição institucional da UnB contra homofobia. É inconcebível esse tipo de atitude em uma universidade”, disse Luíza. “Tomamos nota dos encaminhamentos, que serão debatidos em reuniões sobre as formas de combater o preconceito”, afirmou Rachel Nunes.

Rafael esclarece que será realizada uma reunião com o grupo. Ele adianta que uma das intenções da administração é criar uma agenda institucional de ações de combate à homofobia. “Vamos conversar também sobre uma outra proposta deles, que é a criação de um centro de referência LGBT”, afirmou. A administração divulgará nota sobre o trote da engenharia civil.

CRÍTICA – No fim da tarde, o Centro Aacadêmico de Agronomia lançou uma nota criticando a ação dos manifestantes do beijaço. O CA, acusado de usar práticas homofóbicas e machistas em trotes, foi um dos pontos onde o protesto se concentrou. Uma bandeira colorida foi pregada na placa do centro. “Para nós, o ato é legítimo desde que respeite símbolos democraticamente constiuídos. Feito dessa forma, só ajuda criar rivalidades”, afirmou a presidente do CA, Emanuele Caradoso.

Jun
03

Nós últimos dias a UnB tornou-se palco das mais variadas formas de intolerância, autoritarismo, truculência e violência. O ambiente em que vivemos é o da mais completa licenciosidade, degeneração grosseira da liberdade. Quando a lei e as liberdades individuais viram palavras ao vento, a única esperança dos amantes da liberdade é que o bom-senso das pessoas compense o estado de licenciosidade. O problema é que o bom-senso, sufocado pelo radicalismo juvenil, foi uma das principais vítimas dos abusos verificados em nossa Universidade.
Reunião do CEPE é “implodida” por estudantes e votação do calendário foi adiada.
No último dia 13 de maio a reunião do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE), que votaria o calendário acadêmico, foi suspensa por força de um protesto levado a cabo por alguns poucos estudantes. A grande maioria deles é filiada a grupos políticos de ultra-esquerda, desde anarquistas até maoístas. Os manifestantes alegavam que os professores não poderiam abandonar a greve para não enfraquecer a luta dos servidores técnico-administrativos, que no momento permanecem sem a URP em seus contra-cheques.
Mesmo considerando válida a opinião destes estudantes (concordar ou discordar fica a cargo de cada um, mas respeitar é dever do homo democraticus), não podemos considerar legítimo o método de atuação de quem desrespeita as instituições da Universidade sempre que estas expressam opiniões distintas. (A expressão implosão foi usada por aqueles que interromperam a reunião do CEPE; não obstante, consideramos o termo inadequado tanto pela imprecisão como pela linguagem militaresca).
Imagine o que ocorreria com a política se todo grupo contrariado pelo resultado obtido dentro das regras do jogo se sentisse no direito de barrar violentamente o processo de tomada de decisões? Seria o caos, aliais, como já o vivemos, então digo: é o caos! Do mesmo modo que respeitamos as minorias em seu direito de expressar suas opiniões, em sua liberdade de associação e seu direito à oposição, as minorias também tem o dever de respeitar a pluralidade de opiniões e a legitimidade das instituições.
E o pior de tudo é que não é a primeira vez que as autoridades competentes da Universidade se omitem em seu papel de manter a ordem e a legalidade no ambiente acadêmico. Talvez confundam autonomia universitária com anarquia, que no momento mais parece um inferno hobbesiano.
Ora, se a violência e o desrespeito as instituições são métodos legítimos de reivindicação, então quem discorda da atitude daqueles que “implodiram” o CEPE deveriam ir até lá lutar, literalmente, por suas reivindicações? Não, jamais. Já avançamos demais em termos de civilidade para resolvermos nossos conflitos de forma violenta.
Assembléia dos estudantes votou a greve estudantil e táticas de atuação no CEPE.
Já no dia 18 de maio realizou-se no ceubinho (entrada do ICC ala norte) a Assembléia Geral dos Estudantes. O principal ponto de pauta seria a votação pela manutenção da greve estudantil. Levando-se em consideração o emprego completamente anacrônico e excludente da dita Democracia direta, não podemos nos surpreender com o nível das discussões e com o teor dos discursos de aspirantes a oradores.
Só o fato de se votar uma greve estudantil num momento em que milhares de estudantes já estão em sala de aula, mostra a distorção gravíssima entre a posição da Assembléia (que contava com menos de 200 pessoas) e a posição da grande massa de estudantes.
Não podemos culpar ninguém por não participar. Muitos possuem compromissos que os impedem de comparecer às Assembléias e outros até possuem tempo, mas falta-lhes a paciência para entulhar seus ouvidos com toda sorte de bobagens por horas a fio. A manutenção dessas instituições excludentes atualmente só servem para perpetuar o domínio de determinadas facções do movimento estudantil, notadamente dos estudantes profissionais.
Na oportunidade, os grupos que empreenderam a implosão do CEPE da semana anterior tiveram a pachorra de alegar que, se a atitude deles não foi votada na última assembléia estudantil, logo eles tinham o direito de acabar com a reunião daquele conselho universitário. Numa apropriação filosófica de discutível talento, trouxeram Kant para a discussão sustentando que esse tipo de decisão não poderia ser tomada a priori…
Immanuel Kant, que era um defensor do Estado de Direito, a esta altura deve estar se debatendo em seu túmulo… É Kant, já freqüentaste mentes mais cultas!
Por fim, para o escândalo daqueles que pensavam já ter visto de tudo em termos de movimento estudantil, surge a seguinte proposta: só implodimos o CEPE novamente se eles aprovarem o calendário. Ninguém melhor que a estimada amiga e colega de Curso Joana Ricarte caracterizou a mentalidade dessa gente:
“Comportam-se como a criança que perde o jogo e leva a bola pra casa”.
Foi com essa bela demonstração de presença de espírito que ela concluiu seu discurso contra aquela proposta ao mesmo tempo indecorosa e indecente.
Que fique claro que não compete aos estudantes da UnB votar pela interrupção de nenhuma reunião de qualquer conselho da UnB. Não há respaldo jurídico para tal.
Ouvimos ainda outros sapientíssimos estudantes fazerem a apologia da ação direta (leia-se invasões, piquetes e demais medidas arbitrárias do gênero), alegando que sem estes métodos os servidores não ganharão nada. Disseram ainda que não devemos depositar nenhuma esperança nas “instituições burguesas” para garantir direitos.
Entendem por que é racional se ausentar das assembléias dos estudantes?
Aos partidários da ação direta, eu gostaria de recordar que os professores não foram nem de longe tão radicais quanto os servidores e, mesmo assim, garantiram suas reivindicações na Justiça. Já parte do movimento grevista apelou para métodos mais radicais: fecharam os acessos da reitoria, queimaram pneus (o que interditou temporariamente vários acessos da Universidade), porém descuidaram-se das medidas jurídicas cabíveis. Pressionaram o TRF a julgar logo a liminar que garantia a URP e, por incrível que pareça, foram surpreendidos quando souberam que a ação nem mesmo os representava.
Não podemos individualizar culpas pois o fenômeno é complexo, mas é inegável que se hoje nenhum técnico administrativo está recebendo a URP é em grande parte por causa do seu próprio sindicato. Quando o momento é tumultuado, devemos escolher a luz como nossa companheira, posto que boas intenções não bastam para atingir resultados satisfatórios.
E, para fechar, gostaríamos de manifestar meu descontentamento com a intolerância que se observa em nossa universidade. Gostaria de me solidarizar com a professora Enilde Faustich, chefe do Departamento de Letras (LIP). Reivindicar é um direito e se expressar também, mas estes direitos não anulam nem prescrevem o direito de outras pessoas. A professora foi ferida, antes de tudo, em sua dignidade como mulher, como pesquisadora, como professora e como cidadã.
Passamos por tantas melhorias nos últimos anos em nossa Universidade (sobretudo em termos de infra-estrutura) e, quando assisto a fatos lamentáveis como os descritos, pergunto-me sem a pretensão de responder: quando, finalmente, esposaremos a LIBERDADE na UnB?

Este texto é de autoria de Saulo Said. O autor é o único responsável pelas opiniões por ele emitidas.

Maio
26

Maio
22
Publicamos notícia veiculada pelo blog do Professor Marcelos Hermes (http://cienciabrasil.blogspot.com/):
Prezados,
Reproduzo abaixo, indignado, mensagem que há pouco recebi numa lista de discussão, escrita pela Profa. Enilde Faulstich, Chefe do LIP (Instituto de Letras, UnB).

Completa bem o clima de barbárie que vivemos na UnB: desrespeito às pessoas, ao seu trabalho e às instâncias institucionais internas e externas. Vide as seguidas violências perpetradas para impedir o funcionamento dos nossos órgãos colegiados, nos últimos tempos!

Não ouso afirmar que já chegamos ao fundo do poço. Falta assistirmos agressões físicas. Afinal, que diferença existe entre pessoas que fizeram isso com a Profa mencionada e as pessoas que recentemente agrediram um morador na Asa Sul, porque teve a coragem de pedir silêncio num posto de gasolina?

Até quando? O que deve ser feito para que isto tenha um fim? Quem deve ser responsável pela condução de ações que levem a este fim?

Prof. Jairo Eduardo Borges-Andrade
http://lattes.cnpq.br/3622720842959126
PG Psic. Social, Trabalho e Organizações, UnB

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Prezados Professores,

Durante muito tempo, usei como lema o slogan “Orgulho de ser UnB”. Hoje, duvido desse orgulho.

Acreditei que deveria retornar à sala de aula com o término da greve de docentes. Na segunda-feira, na terça-feira e na quarta-feira, ministrei minhas aulas; salas cheias; alunos interessados; conteúdo muito bom.
.
Mas hoje, 13 de maio, fui assaltada na sala de aula no Pavilhão Anísio Teixeira com apitos, buzinas, gritos, invasão de sala de aula por senhores e senhoras com bandeiras do Sintfub.

Esclareço que, por sorte, já havia finalizado a aula, cujo tema era a representação simbólica da formação do Império Romano na formação das línguas românicas e a invasão dos bárbaros na antiga Europa. Discutimos muito o assunto, ilustrado por mapas, slides em datashow e livros da professora, com o fito de estimular os jovens da graduação a adquirirem conhecimentos linguístico, social e ético, desde séculos antes de Cristo até o momento atual.

Que ironia, eu havia falado de invasão… antes de Cristo! A sala estava repleta, pois são muitos os alunos. Quando dizia as últimas palavras – exatamente às 11:50 – tive o fim da aula interrompido pelo grande grupo que apitava na porta da sala. Não me intimidei, afinal a aula estava finalizada e faltavam algumas últimas notícias, além de passar a lista de chamada para ser assinada pelos alunos.

Sem querer saber o que se fazia naquela hora e naquela sala, os funcionários entraram na sala, pois eu inisistia em manter a porta encostada para recolher meu notebook, o datashow e proteger a fiação que fica no chão. Um grupo entrou na sala com irritantes apitos e buzinas e sequer procurou dialogar.

E o PIOR foi eu ser XINGADA por pessoas que, ou são contemporâneas a mim pelo tempo de serviço e pela idade, ou nem haviam nascido, quando eu já era professora da UnB. Pra onde foi meu ORGULHO? Fui tomada por enorme vergonha pelo xingamento.

Minha dúvida é até que ponto a greve de docentes acabou e até que ponto a greve de funcionários me impedem de ministrar aulas. Quero uma resposta, senão não entrarei mais em sala de aula até que se resolva a precária situação a que estamos expostos.

Como docente, respeitei a greve dos docentes. Como professora, retornei para a sala de aula porque os alunos estão lá, querendo aula. Como chefe do Departamento, não somente respeitei a greve dos docentes, como abri espaços para as discussões circunstanciadas, com direito à palavra de funcionários, de alunos e de professores. Como chefe de Departamento, respeito a greve dos funcionários e procuro conversar com os servidores do LIP sobre os encaminhamentos que estão sendo feitos pelo sindicato.

Agora, se sou PROFESSORA e estou em sala de aula, o que autoriza funcionários a entrarem em meu espaço e a me xingarem porque estou trabalhando? Quanta humilhação sofre hoje um professor DA e NA Universidade de Brasília!

Pra que um docente faz mestrado, doutorado, pós-doutorado, publica com Qualis, obedece às exigências da CAPES, orienta teses, é pontual em sala de aula, pensa que pode transformar o mundo ao ensinar seriamente conteúdos de suas disciplinas, relaciona-se com ética com a comunidade universitária, para em 5 minutos ser acaçapado por quem não deveria estar ali a humilhar um(a) professor(a)? Peço resposta da administração, quero segurança em sala de aula.

“Orgulho de ser UnB” deveria ser perene, mas como tudo na vida passa.

Neste momento, estou lutando para diminuir minha pressão arterial que tem oscilado e que me tem levado a controle de cardiologista.Cheguei à minha casa com pressão 18 X 10 e batida cardíaca 97 por minuto. Vale a pena isso, em nome de que URP?

E então, uma universidade que, na atualidade, me leva à precariedade da saúde, merece meu orgulho? Não! Bastou!

Quero uma resposta, pois me sinto expulsa do ambiente que eu julguei fazer parte da minha história.

Atenciosamente.
Profa. Enilde Faulstich
Chefe do LIP – IL

.

Maio
21
PARABENIZAMOS A CHAPA VENCEDORA! Louvamos também a garra da Chapa 2, que teve tão expressiva votação e provocou verdadeiro debate nas eleições.

Retirado do Portal da UnB:

A Chapa 1 (Plural e Independente) venceu as eleições para dirigir a Associação dos Docentes da UnB (ADUnB) pelos próximos dois anos. O resultado, divulgado nesta quinta-feira, 20 de maio, foi apertado. O grupo vencedor recebeu 515 votos, enquanto a Chapa 2 (Participação e Luta) foi a escolha de 491 professores. Uma diferença de 24 votos, que representam 2% dos votantes. A nova diretoria assume em 23 de junho.

O presidente da chapa vencedora, Ebnézer Nogueira da Silva, destacou a necessidade de construir um projeto em conjunto com toda a categoria. “O resultado mostra que a UnB está dividida. Vamos manter o diálogo com a Chapa 2”, afirmou o professor do Departamento de Música. Vice-presidente da atual direção, Nogueira fez questão de parabenizar a chapa concorrente pela campanha honesta que promoveu.

Para a presidente do grupo Participação e Luta, professora Maria Auxiliadora César, o sentimento não é de derrota. “A votação foi acirrada. Essa divisão deve ser motivo de construção dentro da universidade”, declarou a socióloga aposentada. Auxiliadora ressalta ainda que a ADUnB não é formada apenas pela diretoria, mas por cada membro que compõe a associação. “É papel de todos atuar dentro do sindicato”, diz.

VOTO A VOTO – Na última terça e quarta-feira, 1.038 professores – 52% do total de associados – votaram em 16 pontos espalhados pelos quatro campi. A disputa, que contou 32 votos nulos e brancos, foi decidida na última urna. O clima na sede da ADUnB, onde estava sendo feita a contagem, era de apreensão de ambos os lados. Quando a penúltima urna foi apurada, a vantagem da Chapa 1 era de 14 votos.

A única urna com total de votos para uma mesma chapa foi a da Faculdade UnB Gama (FGA), com 23 votos para a Chapa 1. O vice-presidente do grupo, Adson Rocha, é coordenador da unidade. Os locais onde a Chapa 2 teve mais votos foram o Instituto de Artes (IdA), a Faculdade de Educação (FE) e a ala Norte do ICC, onde se encontram boa parte dos cursos de Humanas. Já o grupo vencedor se destacou nas urnas das faculdades de Tecnologia (FT), Saúde (FS) e da ala Sul do ICC.

O Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) ainda não apresentaram posições oficiais sobre o resultado das eleições na ADUnB.

Veja abaixo quadro com o detalhamento da votação nas 16 urnas apuradas.

VOTAÇÃO ADUNB
Seção Votos Chapa 1
Votos Chapa 2
ADUnB 48 40
IdA 18 37
FS/FM 39 30
HUB 16 7
ICC Sul
84 77
ICC Norte
89 118
BCE 5 4
FA 19 9
FT 72 25
FE 20 39
FEF 9 13
Ceilândia 6 33
Gama 23
Planaltina 4 25
IB 42 23
IQ 21 11
Total
515 491
Total de votos brancos e nulos: 32
Total de votos apurados: 1038